Thursday, 6 February 2014

Os Empates


Os Empates

Ao vivo, vi 3. Em Alvalade. 

1-1 com o Rio Ave, 0-0 com o Nacional (empate, salvo seja) e 0-0 com o Porto.

3 vezes fui a Alvalade, 3 vezes empatámos. Depois do jogo com o Porto, decidi que não volto a meter os pés em Alvalade esta época. Ainda devo ir a Lisboa uma vez antes da época acabar, mas faço questão de marcar vôo para datas em que joguemos fora, só para evitar de cair na tentação.

Bem sei que calhando estar em Lisboa e o Sporting jogar em Alvalade... lá vou ter de ir. É inevitável, mas estou a começar a pensar se não dá menos azar levar o portátil comigo e ver o jogo em stream como faço todas as semanas. Nem sequer quero ver na SportTv ou no café.

Adiante.

Os 2 empates de Dezembro fizeram com que o que escrevi em Dezembro deixasse de fazer sentido num par de dias. O Sporting não se isolou na liderança, "empatou-a" - diferença de 2 pontos para cima e para baixo. E é nesta condição de empatado que vamos à Luz. Mais uma (a fazer lembrar tantas outras) vez(es), fomos incapazes de matar um jogo contra um adversário inferior (Académica), em nossa casa. Sim, há penalty claro não assinalado, mas há que dar e fazer mais.

Os campeonatos (e as equipas) ganham-se me jogos como em Arouca, mas muito mais se ganham fazendo o pleno em casa. E tendo conseguido isso, teríamos mais 6 pontos do que temos hoje.


O Desempate

Empatar significa, entre outras coisas, "tornar indeciso".

Curiosamente, é nesta altura dos jogos que o Slimani é chamado a entrar em acção. O jogo está empatado, indeciso. E ele entra. E tem resolvido.

E é por isso que eu continuo a insistir na mesma tecla. Deixemos a indecisão empatada no balneário, e saltemos para o ringue com a certeza de que vamos ganhar. Logo. Mais cedo. Sem empates ao intervalo (ou até aos 60/65 minutos).

Especialmente em casa. Onde temos de ser, obrigatoriamente, mais fortes. Mais capazes. Mais.

A receita original do Jardim, com 2 extremos bem abertos e um André Martins a pressionar alto com o Montero, foi resultando enquanto foi surpresa. A receita A expirou, e a receita B é, agora, a que ainda consegue baralhar as defesas adversárias. Aquela em que temos menos probabilidades de empatar. Ficamos mais perto de marcar do que sofrer. E isso só pode ser muito bom.

O Resto (e os Reforços)

Com a eliminação da Taça de Portugal e da Taça da Liga (independentemente do que é que quer que venha  a ser decidido nos próximos dias), ficam a faltar 13 jogos até final da época. 13 míseros jogos. Uma seca.

7 fora: Benfica, Rio Ave, Setúbal, Marítimo, Paços de Ferreira, Belenenses e Nacional.

6 em casa: Olhanense, Braga, Porto, Guimarães, Gil Vicente e Estoril.

Recapitulando o que escrevi em Setembro...
1) Campeonato  
Realisticamente, será jogo a jogo. A Liga Europa é o mínimo exigível. A Liga dos Campeões terá de ser considerada lá para Dezembro, quando se tiver uma ideia clara do que o plantel vale(rá) e do que pode(rá) fazer até Maio. Falar em título é um disparate. 
Contudo, o futebol é um desporto tramado. Acho impossível almejarmos a mais do que um 2º lugar (com um dos outros 2 a ter uma época super irregular), mas ainda tenho de reserva o tal 0000000,1% de crença que, conjugando-se 50.000 factores diferentes, podemos ter uma hipótese. Adiante.  
2) Taça de Portugal + Taça da Liga 
Lutar pelas duas até ao fim.

Resta o primeiro. O contexto leva-me a pensar que a % talvez tenha melhorado e o número de factores diferentes tenham sido reduzidos. É possível. É alcançável. É o único título em disputa. Quanto ao objectivo (Champions), esse virá por arrasto.

O 3º lugar está praticamente garantido. O 2º ou o 1º, só esperando.

Qualquer que seja o desfecho em Maio, ter ganho a Taça de Honra da AF Lisboa nesta época de renovação de espírito verde-e-branco, não deixa de ser simbolicamente importante.



















(da esquerda para a direita)

Héldon, conheço e gosto. Leva 11 golos em 21 jogos em toda a época, o que dá uma média muito interessante comparada com os nossos extremos. É, tão só, o 3º melhor marcador do campeonato atrás do Montero e do Jackson. Para mim, entra de caras no 11. Serve de alerta para um Capel que anda apagadinho, um Wilson que é útil mas curto e um Carrillo que me enerva progressivamente mais e mais. Se joga enerva-me. Se não joga é porque enervou o Jardim durante os treinos, logo, eu enervo-me também. Quanto ao Mané, que vá entrando, que vá animando as bancadas, mas jogos a titular como contra a Académica, ainda não, sff.

E é por isso que queria ver um trio de ataque assim: Slimani - Montero - Héldon. E já na Luz. Sem medos. Ainda para mais, esta noite sonhei que o Héldon marcava na Luz. Que assim seja, que assim se cumpra.

O rapazinho alto (1,92mt)  é o Matías Perez. Lembro-me de o ver no Mundial de sub20 em Julho (sobre o qual escrevi aqui), mas não me lembro de ficar especialmente impressionado. É uma aposta para o futuro, tem 19 anos e se for tão bom como compatriota Carlos Gamarra, fico muito contente.

Não conheço o Shikabala e ainda não me dei ao trabalho de ir ver o "melhor golo de sempre de todo o mundo" que está no YouTube. Conheço-lhe a (má) fama e pouco mais. Terá uns minutitos para se mostrar até final, mas com as 3/4 semanas que o Jardim já lhe reservou no laboratório, não passará de um reforço para a próxima época.

Lewis Enoh. Avançado ex-Sourense, já fez um par de jogos pela equipa B, tendo COMETIDO 2 faltas para penalty. Falta marcar golos. Estampa tem. Vícios de regionais e destritais, também, pelos vistos.

Ousmane Dramé. Outro que não sei. Muito famoso o tal assalto e fuga de bicileta. Que corra muito. Que não tenha sido um equívoco. Mais um para perceber em 2014/2015.

Até um dia destes.

Monday, 20 January 2014

O poder da simetria

Fui ao Dragão ver o (primeiro jogo do Quaresma para a liga) Porto. Meia casa julgo eu, algum frio, um golo do Jackson e dois outros belíssimos. Um jogo sem grande história a não ser a de tirar as conclusões óbvias de que a simetria ainda é a base de se montar uma equipa de futebol. Escrevi-o desde o início. O Porto jogou pela primeira vez com dois extremos abertos (Licá, não me lixem, não é extremo, é bom rapaz), um 10 e um 9. A vinda de Quaresma, nem que seja só por obrigar o treinador a lá metê-lo mais ao Varela, é uma boa notícia por si só. A outra é porque mesmo sem ritmo, desequilibra 98% dos defesas do campeonato. Mas bom, faltam coisas a este Porto, muitas já faladas e escritas, mas se o PF não complicar, a partir de agora faltarão menos.
 
Ps - 10 segundos antes de Carlos Eduardo fazer aquele golo à Zidane, tirou um adversário do caminho... à Zidane, com uma simulação de corpo linda... comentei assim mesmo com o meu amigo no estádio... depois fez o que fez. Claro que Carlos Eduardo não é Zidane, mas há ali qualquer coisinha...

  
 

Wednesday, 8 January 2014

Benfica-Porto

Vou estar a trabalhar na hora do Benfica-Porto no domingo. Perco um dos grandes jogos e a oportunidade de finalmente ver um jogo na BenficaTv (o que esperar dos comentários?).
Em semana de luto pelo Eusébio o jogo ganha ainda mais interesse.
Nenhuma das equipas está a convencer e não foram as goleadas da Taça que alteraram a situação. Mas curiosamente ambas estão no topo juntamente com o Sporting que de longe tem jogado mais e melhor. Ou pelo menos tem mostrado uma ideia. Benfica e Porto andam longe de uma ideia, embora por razões diferentes. Parece-me que o Benfica sofre do mal típico de Jesus que prefere apostar mais no momentum do que na sustentabilidade. O Benfica é sempre uma equipa a jogar no limite, incapaz muitas vezes de gerir o jogo quando as coisas não funcionam.
O Porto deste ano tem tido o problema da apatia, da previsibilidade.
Ambas parecem ter melhorado no último mês, mas ainda é cedo para se perceber o que será o resto da época. Não será este jogo que vai definir esse resto, até porque um clássico foge aos momentos. Não deixa de ser um jogo importante para a confiança, mas se virmos o que aconteceu ao Porto depois de vencer o Sporting, acho que podemos tirar a conclusão óbvia que este ano há que manter a guarda até ao fim.
 
Dado semi-importante: Ricardo Quaresma. Sim, incógnita total, mas se houve jogos em que ele respondeu presente foi nestes. Será para entrar caso as coisas estejam empenadas.
 
 
 

Monday, 6 January 2014

A obra-prima de Eusébio

Um dos obituários do Eusébio tinha um link para um resumo curto do Portugal – Coreia do Norte, do campeonato do mundo de 1966. Já tinha visto algumas imagens do jogo mas o Youtube é realmente um poço com tesouros fantásticos.


(1) o comentador é absolutamente fantástico, calmo, mais british era impossível. Eu imagino-o com um chapéu raso, casaco pele de ovelha e cigarro no cinzeiro quando diz “Only Eusébio can save Portugal”. 

(2) Não tenho palavras para descrever quão mau parece ser o guarda-redes de Portugal, o José Pereira (titular em todos os jogos do mundial excepto o primeiro). Vejam bem os golos concedidos aos 21s e sobretudo aos 40s. No primeiro reage ao remate à entrada da área com a velocidade de uma tartaruga de pernas para o ar (gosto sobretudo do pequeno salto para dentro da baliza, DEPOIS da bola já lá estar). No segundo sai da baliza como um touro enraivecido, falha completamente a bola (aí por dois metros...), consegue regressar à baliza e tocar ligeiramente noutro cruzamento, empurrando a bola directamente para o jogador coreano. Agora percebo melhor porque é que o Lev Yashin era tão apreciado. 

(3) O contra ataque da Coreia do Norte ao 1m35 mostra como o futebol era diferente há cinquenta anos. O jogador coreano basicamente finta um central (o que está ele a fazer ali, será que o David Luiz estava em campo?) e tem 75 metros pela frente apenas com um defesa e o guarda-redes. Eu acho que se tivéssemos uma máquina do tempo e colocássemos o José Mourinho em 1966 ele ganhava o campeonato do mundo com qualquer uma das equipas qualificadas. Mas era capaz de ficar sem cabelo quando visse os guarda-redes... 

(4) Os penaltis do Eusébio são absolutamente indefensáveis. Se a bola vai enquadrada nenhum guarda-redes do mundo (actual, nem sequer falo da altura) defende. O primeiro então lembrou-me o penalti do Zidane contra Portugal na meia-final do Euro 2000. Minuto 129. Dois passos. Bola no canto superior. 

(5) Gosto das celebrações de golos simples do antigamente. Era tudo mais sóbrio mas apesar disso feliz. Agora há mais berros, danças e gestos mas parece-me ser sobretudo alívio e não alegria. Vejam só aquele saltinho comum após o quinto golo do Augusto aos 3m32. Pura felicidade infantil. (Apreciem também a defesa da Coreia do Norte nesse golo, o José Augusto não tem ninguém por perto dentro da pequena área dos coreanos! E isto num canto defensivo! Os anos 60 eram outra coisa.) 

(6) E talvez o mais óbvio, o Eusébio foi um fora-de-série, um goleador único, o melhor jogador africano de todos os tempos e este jogo é muito provavelmente a sua obra-prima. Os adversários podiam não ser os melhores mas tendo em conta a pressão, o momento, o sangue frio necessário, isto é o Sign of the Times, a Mona Lisa, Os Maias do Eusébio. As alegrias foram para nós todos, portugueses, e a isso apenas se pode dizer Obrigado.

Wednesday, 11 December 2013

Querido Líder...

Ainda pensei escrever "Querido Pai Natal...", "Querido Leonardo Jardim..." ou até mesmo "Querido Bruno de Carvalho...", mas parece-me que a opção tomada para título do post resume per se tudo o que vou dizer abaixo.

Capítulo I | A Liderança

A liderança.

Faltam 18 jogos para o fim do campeonato e o Sporting arrisca-se a dobrar o calendário em 1º lugar. Isolado. Reconhecidamente merecedor da posição que agora ocupa.

Até à 2ª volta, é este o calendário do Sporting:

Belenenses (casa)
Nacional (casa)
Porto (casa / Taça da Liga)
Estoril (fora)
Marítimo (casa / Taça da Liga)

Contas feitas, são 6 jogos, 4 deles em casa. É vital, como já foi em Barcelos, somar os 3 pontos nos próximos 2 e evitar que a margem conseguida para Porto e Benfica seja reduzida. Por ventura, até poderemos vê-la aumentada mediante um qualquer deslize dos nossos adversários.

O Benfica faz os 2 próximos jogos fora: Olhanense e o ainda invicto Vitória de Setúbal desde que o Couceiro assumiu o cargo. O Porto vai a Vila do Conde para depois receber o Olhanense. Depois há Taça da Liga, que servirá para aferir o estado mental de Sporting e Porto. E depois, sim, há Porto - Benfica a 12 de Janeiro, no fim de semana em que o Sporting vai a Estoril.

No horizonte mais próximo, acreditando que o bom percurso em casa continuará nos próximos 2 jogos, é esse 2ª fim-de-semana do novo ano que o Sporting pode, efectiva e finalmente assumir um novo objectivo para o resto da época.

Capítulo II | Os Objectivos

E esse novo objectivo a partir do jogo com o Estoril, fora, deverá ser só um:

Ganhar o primeiro jogo da 2ª volta contra o Arouca, fora.

E depois do Arouca, o próximo jogo. E depois do próximo jogo, o outro jogo que se segue. E depois do jogo que se seguiu, o que vem aí. E por aí fora.

Em equipa que ganha não se mexe. Em objectivos que se definem, também não. Especialmente quando, em 12 objectivos, só por 2 não se atingiu parcialmente e por 1 em absoluto. Ainda assim, e como há mais equipas no campeonato,os objectivos (maiores) dos outros não têm sido atingidos com a eficácia de outros anos. O que é bom.

Mas continuemos a falar de objectivos, preferencialmente os (que já foram) atingidos:

Um Presidente Sportinguista que ama o clube tão ou mais que os outros anónimos e comuns adeptos.
Um Presidente Sportinguista que defende, como prometeu, o clube intransigentemente.
Um Presidente e uma estrutura assente em 3 S's: Sportinguista, Sólida e Solidária.
Um Presidente e uma equipa técnica competentes.
Um grande Treinador.
Um grande Capitão (já lá vamos mais à frente).
Um grupo de jogadores com vontade, com talento e com potencial.
Um renovado fulgor em Alvalade e nos minis-Alvalade cada vez que jogamos fora.
Uma Curva Sul como dantes. Ou melhor até.

Parecem conquistas pequenas, coisas e detalhes essenciais ao sucesso de um clube grande, um fim para o qual o Sporting foi fundado e fez por merecer, porém, tão injusta e (in)compreensivelmente atraiçoado (já lá vamos no Capítulo III) por quem se dizia Sportinguista.

Capítulo III | A Promessa

Parece-me sintomático e quase milimetricamente sincronizado que, tão só 2 dias depois do Sporting chegar à liderança do campeonato e pela primeira vez com esta estrutura, uma das principais e mais importantes promessas feitas na campanha eleitoral seja finalmente cumprida:

A Auditoria de Gestão aos últimos 18 anos. Com arranque marcado para dia 2 de Janeiro, é este o programa de festas:
  • Fase 1: Mandato de Luiz Godinho Lopes (27/03/2011 a 27/03/2013) e Gestão Imobiliária dos últimos 18 anos – 2 de Janeiro a 2 de Março de 2014
  • Fase 2: Mandato de José Eduardo Bettencourt (06/06/2009 a 26/03/2011) – 2 de Abril a 2 de Junho de 2014
  • Fase 3: Mandato de Filipe Soares Franco (19/10/2005 a 05/06/2009) – 2 de Julho a 2 de Setembro de 2014
  • Fase 4: Mandato de António Dias da Cunha (01/08/2000 a 18/10/2005) – 2 de Outubro a 2 de Dezembro de 2014
  • Fase 5: Mandato de Pedro Santana Lopes e José Roquette (02/06/1995 a 31/07/2000) – 2 de Janeiro de 2015 a 2 de Março
O (caminho para o) sucesso desportivo está traçado e o método e as escolhas feitas, têm-nos dado razão. As glórias virão com o tempo, com a certeza que tudo foi feito com o superior interesse em defender o clube.

É agora o momento. É agora a altura de perceber o porquê de tanta coisa ter sido como "foi" e não o que "poderia ter sido".

Agora que estamos mais juntos. Agora que estamos mais unidos.

Agora que o SPORTING É NOSSO. Outra vez.

Capítulo IV | A Bebida

Termina o jogo no pequenino mas funcional e bonito Estádio de Barcelos (um exemplo). Vitória boa, segura, apesar do 1-0 arrastar-se mais tempo do que desejávamos. Mas segura, desde o 1º minuto. Será certamente muito chato para um adversário enfrentar outro que sabe exactamente o que quer fazer. E mais ainda será ver que o adversário consegue (quase) sempre fazê-lo. Foi isso que aconteceu.

E é por isso que tenho andado a trocar a cerveja por chá quando dá o Sporting. Já não preciso de justificar o nervo e ansiedade com uma bebida alcoólica. Tantas vezes o fiz o ano passado. Dei goleadas à minha própria sobriedade a ver o Sporting de 2012/2013. E no fim de demasiados jogos, por breves momentos, tudo me parecia (mais ou menos) bem, apesar do resultado, "que se lixe, ao menos bebi".

Agora é chá. Para apreciar. É uma forma de me sentir mais perto do estilo de jogo do William de Carvalho.

Capítulo V | O Capitão e Líder

Termina o jogo em Barcelos. 2-0. Líderes. Isolados. Equipa a festejar no relvado, bancada em êxtase, jogadores a despirem cada peça e roupa e a dá-la aos adeptos. E depois... uma imagem que me vai ficar gravada o resto da época e, potencialmente, toda a vida.

O Capitão. O Líder. A sorrir. Sorriso largo. Um abraço longo e forte a Jardim. A afirmação de que a equipa é a prioridade. Que o grupo deixou de ser um plantel para ser uma família. A certeza de que um capitão é muito mais do que aquele que leva a braçadeira e escolhe o lado do campo ou o primeiro pontapé na bola.

Desta vez optei por deixar o post quase nu de imagens para dar o mais do que merecido destaque a uma das figuras desta época para mim. O Capitão. O Líder. Não está desaparecido em combate. Anda só invisível em campo. Um senhor no banco e no balneário.

Continuo a achar que não me enganei quando o defini desta maneira, ao fim dos primeiros jogos de verde e branco:


"SINÓNIMOS"

O OBRIGADO do post de hoje é para ti, Capitão e Líder, Fito Rinaudo.


Saturday, 7 December 2013

A progressão

Passado algum tempo em silêncio, parece-me boa altura vir escrever sobre o Porto. Fazê-lo horas antes de jogar em casa frente ao Braga pode ser arriscado, sobretudo devido ao ciclo negativo que a equipa atravessa e percebendo claramente que um resultado que não seja a vitória coloca Paulo Fonseca numa situação muito difícil. Diga-se também que foi o próprio PF que se colocou em tal posição.
Dois momentos definem este Porto 2013/2014 até agora: a pré-época e a vitória frente ao Sporting.

No primeiro momento vimos um Porto de dinâmica elevada, de futebol vertical e rápido, jogadores como Iturbe e Kelvin a jogarem vários minutos.
Acabada a pré-época aconteceu um retrocesso inexplicável. Jogadores rápidos desapareceram e regressou-se ao que parecia ser a herança Vítor Pereira. Não falo do duplo pivot que apenas aconteceu em dois ou três jogos e que nada tem a ver com os problemas da equipa. Fernando tanto pode jogar sozinho como pode jogar acompanhado, isso são detalhes que agradam a alguns mas que para mim conta pouco neste Porto. Fernando joga melhor sozinho sim senhor, mas isso não significa que a equipa só por isso jogue bem, está provado pelos resultados últimos.
O segundo momento foi a vitória merecida frente ao Sporting. Inchou-se depressa demais. Ter vencido o jogo bem, fez crer que este seria um ano mais natural. Esqueceram-se é que a naturalidade com que o Porto tem ganho exige sacrifício e qualidade. E mais, PF chamou a si essa arrogância com o "bem disse que a equipa estava em franca progressão"... pois estava, e pelos vistos, esgotou-a!


Querer fazer crer que o porblema se resume à finalização é outro mito. O problema único do Porto é a dinâmica de jogo. Dinâmica no futebol só se consegue com largura e com profundidade na altura certa. Ora, sobre a largura o Porto joga manco, quer por apenas ter um extremo de raíz a jogar, quer por ter apenas um defesa lateral que sobe a sério. Profundidade na altura certa é inexistente. O Porto tornou-se uma equipa incapaz de se impor face a linhas baixas, incapaz de destabilizar essas linhas, logo não encontra espaço para profundidade.
O quadro não é bom mas também não é negríssimo. Continuo a achar que os melhores jogadores vestem de azul e branco (essa foi sempre a real vantagem face aos adversários, por muito que a comunicação social exalte jogadores da 2a circular todos os dias), que há no plantel, opções suficientes para se ser Tetra Campeão Nacional, mas é necessária uma mudança de dinâmica.
Não sou dos que crê em chicotadas psicológicas no Porto, mas julgo que a receita de colocar a treinador homens sem grande currículo poderá estar a esgotar-se.
A vinda de Quaresma não sei se entrará nestas contas de dinâmica, mas pelo menos dá para animar a equipa.

Concluindo: o pragmatismo vai voltar a reinar, não é este ano que procurarei como adepto o deleite de um futebol espectacular como o do tempo de Villas Boas, mas antes o calvário de jogar para oresultado dos tempos de VP. Começa já hoje com o Braga.

Saturday, 30 November 2013

Pelos caminhos de… Nova Zelândia.

A “New Zealand Football” (NZF) é a federação de futebol da Nova Zelândia. Este nome só lhe foi dado a partir de 2007, quando o “soccer” foi substituido por “football”. Foi fundada em 1891 e tornou-se membro oficial da FIFA em 1948. Foi também um dos membros fundadores da Confederação de Futebol da Oceânia (OFC).
A NZF coordena as sete associações regionais de futebol existentes no país, as selecções nacionais sénior e júnior masculinas (cuja alcunha é “All Whites”), a selecção feminina (cuja alcunha é “FootballFerns”) assim como as ligas nacionais masculinas e femininas.
Os “All Whites”
O primeiro jogo internacional da Nova Zelândia foi em Dunedin, no antigo estádio “Caledonian Ground” a 23 de Julho de 1904 contra uma equipa da Nova Gales do Sul, da Austrália. A Nova Zelândia perdeu o jogo por um único golo mas empatou 3 igual no “Athletic Park”, em  Wellington, sete dias mais tarde.
No ano seguinte, jogaram contra uma equipa de jogadores de Wellington, a 10 de Junho, antes de embarcar num tour pela Austrália durante o qual disputaram onze jogos, incluindo três jogos teste novamente contra Nova Gales do Sul. Os resultados destes últimos foram um 1X2…
Esta selecção não voltou a jogar até 1921, quando efectou 3 jogos internacionais oficiais contra a Austrália, no estádio de “Carisbrook”, em Dunedin (3-1), no “Athletic Park”, em Wellington (1-1), e no “Auckland Domain”, em Auckland (3-1). Os dois últimos locais não são estádios mas sim parques no meio das cidades de Wellington e Auckland…
Apesar do número significativo de praticantes, o futebol na Nova Zelândia tem de competir com outros desportos, como o rugby e o cricket, tanto a nível financeiro como a nível de exposição mediática. O desempenho da selecção nacional é também afectado pela qualidade da liga nacional, a “New Zealand Football Championship”, que só existe desde 2004.

Desde os anos 90 que o futebol universitário dos Estados Unidos tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento dos jogadores neozelandeses. Esta influência começou quando o antigo internacional escocês Bobby Clark regressou aos Estados Unidos depois da sua passagem pela Nova Zelândia nas épocas de 1994 a 96 para treinar a equipa de futebol da universidade de Stanford (ocupa actualmente o cargo de treinador da equipa da universidade de Notre Dame). Bobby Clark começou por recrutar jogadores na Nova Zelândia e antigos internacionais neozelandeses como Ryan Nelsen e Simon Elliott jogaram em Stanford. A tendência iniciada por Bobby Clark continuou até ao presente: mais de duas dúzias de neozelandeses jogam presentemente na “NCAA Division I” dos Estados Unidos.

A evolução normal da carreira destes jogadores é alcançar um lugar na “Major League Soccer” americana. O jornalista Brent Latham da ESPNsoccernet chegou mesmo a especular num artigo de Março de 2010 que a selecção da Nova Zelândia para o Mundial de 2010 teria mais jogadores da MLS do que os próprios Estados Unidos… Mas tal não aconteceu, já que apenas um jogador neozelandês da MLS foi convocado para esse Mundial.

A Nova Zelândia costumava competir contra a Austrália pelo melhor lugar na OFC nas qualificações para o campeonato do mundo. No entanto, desde que a Austrália se juntou à Confederação de Futebol da Ásia, que a Nova Zelândia deixou de ter adversários à altura…  A selecção foi campeã da taça da OFC em 1973, 1988, 2002 e 2008 (por curiosidade, o Tahiti ganhou a taça da OFC em 2012 e a Nova Zelândia ficou em terceiro…).

Desde 2010, o equipamento da selecção nacional é composto por camisola, calções e meias brancas (foi utilizado pela primeira vez num jogo contra o Taipé Chinês). O equipamento alternativo é todo preto e a Nike é a actual marca do equipamento. Um feto prateado, símbolo da Nova Zelândia, aparece na camisola. O facto de jogar toda de branco deve-se a um regulamento antigo da FIFA que reservava o preto para o equipamento dos árbitros internacionais.

A alcunha de “All Whites” foi dada à equipa em 1981, durante a fase de qualificação para o Mundial 1982, onde viriam a estar presentes, pela primeira vez.

É também, obviamente, um trocadilho com o nome da equipa nacional de rugby, os “All Blacks”. Os apoiantes da selecção são os “WhiteNoise”.

O melhor marcador dos “All Whites” de sempre é Vaughan Coveny, internacional de 1992 a 2006, com 28 jogos e 64 golos marcados. O jogador com mais internacionalizações é Ivan Vicelich (87 jogos) tendo a sua estreia acontecido em 1995. Ainda se encontra no activo, mas apenas marcou 6 golos.

A maior vitória foi sobre a selecção das Fiji, por 13-0, a 16 de Agosto de 1981 e a maior derrota foi contra a selecção da Austrália, por 10-0, a 11 de Julho de 1936.

No Mundial de 2010, na África do Sul, a Nova Zelândia conseguiu o seu melhor resultado a nível de selecções quando empatou 1 a 1 com os então campeões do mundo, a Itália. Shane Smeltz marcou ao minuto 7: a primeira vez que a Nova Zelândia conseguiu estar à frente do marcador num campeonato do mundo. Foram também a única equipa que não sofreu nenhuma derrota no Mundial de 2010, mas isso não lhes serviu de muito…


O “New Zealand Football Championship”

Onze grupos de equipas submeteram pedidos para criar equipas em franchise. Os bem sucedidos foram anunciados a 7 de Abril de 2004: “Auckland City FC”, “Canterbury United”, “Napier City Rovers”, “Otago United”, “Team Wellington”, “Waikato FC”, “Waitakere United” e “YoungHeart Manawatu”. 

Os “Olé Madrids”, os “East Auckland” e a “Team Bay of Plenty” foram excluídos. Os “Western Suburbs”, o clube associado à “Olé Academy”, é agora um dos principais membros do franchise da equipa “Team Wellington”.

O primeiro jogo da competição deu-se a 15 de Outubro de 2004, onde o “Auckland City FC” derrotou os “Napier City Rovers” por 3-1 no estádio de Park Island, em Napier. A equipa de Auckland também ganhou o ultimo jogo da época inaugural, contra o “Waitekere United”, tornando-se o primeiro campeão da NZF Championship. A equipa de Auckland ganhou também a final das duas épocas seguintes, criando a primeira dinastia vencedora.
Na segunda época o “Napier City Rovers foi rebaptizado “Hawke's Bay United”, sendo a equipa gerida pelos clubes da região de Hawke's Bay. Nesta época, o “Auckland City FC” foi a primeira equipa da NZFC a ganhar a “OFC Champions League”, derrotando uma equipa da Polinésia Francesa, o “AS Pirae” por 3-1.
A NZFC tem sido dominado pelo “Auckland City FC” e pelo “Waitakere United”. Ambas disputam O DERBY de Auckland.
Actualmente, a liga nacional é conhecida por “ASB Premiership” (devido ao patrocinador) onde se disputam vários torneios, tal como a “Chatham Cup”. A “ASB Premiership” joga-se durante o verão, com oito equipas e é considerada uma liga de futebol amadora.
A “ASB Premiership” ocorre à parte das várias competições regionais de clubes durante o inverno, sendo que muitas das equipas que competem na Premiership são os franchises dos clubes que jogam no inverno.
As competições de inverno são:

Na “ASB Premiership” as oito equipas jogam umas contra as outras duas vezes, em 14 jornadas (no passado, jogavamm três vezes em 21 jornadas, antes das dificuldades financeiras de algumas equipas). No final da época, as melhores quatro equipas seguem para os playoffs onde as meias finais são a duas mãos, progredindo as equipas vencedoras para uma final.
Os playoffs foram inicialmente jogados num sistema a três, sendo que o vencedor da liga tinha um lugar garantido na final e o segundo e terceiro lugares tinham de disputar um jogo a eliminar.
Na época de 2005/2006, o playoff foi disputado com 5 equipas mas reverteu para 3 equipas nas épocas de 2007/2007 e 2007/2008.
A equipa que vence a Premiership e a equipa que vence a final dos playoffs são apuradas directamente para a Champions League da OFC. No caso da equipa ser a mesma, o segundo lugar da Premiership apura-se directamente. Na época de 2007/2008, o “Waitakere United" ganhou a liga e a final e o “Auckland City FC”, segundo da liga foi apurado, tendo no entanto a “Team Wellington” disputado a final dos playoffs.
Como não existem outras divisões, não há descidas nem subidas de divisão, à semelhança do que acontece nas ligas australiana e americana.
O “Wellington Phoenix FC”

Uma equipa neozelandesa, o “Wellington Phoenix FC”, joga na “Hyundai A-League” da Austrália, esta sim, uma liga de futebol profissional.
Depois dos “Football Kingz” (2005/06) e dos “New Zealand Knights” (2006/07) se terem extinguido, era por demais evidente que a Federação de Futebol Australiana (FFA) iria eliminar o lugar reservado a uma equipa neozelandesa na “Hyundai A-League”, a primeira competição profissional de futebol de toda a Australasia.
Em 2007, o futebol profissional na Nova Zelândia foi salvo por um empresário de Wellington, Terry Serepisos, e pela “Century City Football” que conseguiram um contracto de três anos para competir com uma equipa de futebol na liga acima referida. Conseguiram convencer a FFA de que um clube profissional de futebol “do outro lado da vala” podia sobreviver.
No dia 26 de Agosto de 2007, a primeira equipa de futebol profissional de sempre de Wellington, o “Wellington Phoenix FC”, empatou com a equipa mais forte da “A-League”, o “Melbourne Victory”, no “Westpac Stadium”, por 2-2.
Desde então, os “Phoenix” foram crescendo e tornando-se mais fortes: 500 000 pessoas já assistiram aos jogos em casa, em Wellington, da A-League; os recordes de assistência de um jogo de futebol na Nova Zelândia foram quebrados por duas vezes quando os "Phoenix" defrontaram os “LA Galaxy” de David Beckham em 2007 e aquando das finais dos playoffs contra os “Newcastle Jets”, em 2010; os “Phoenix” chegaram aos playoffs da A-League por duas épocas consecutivas.
Para terminar este post, devo dizer que andei desalmadamente à procura de uma camisola oficial dos “All Whites”, mas sem sucesso… Pelo que comprei uma dos “Wellington Phoenix FC”, convencido de que era de uma equipa do campeonato neozelandês. Foi só quando os vi na televisão que percebi que tinha de investigar mais…

Monday, 18 November 2013

O Belém na década 10

Caríssimos,

Devo aos meus colaboradores um pedido formal e público de desculpas por não "postar" neste blog há tanto tempo. Entre falta de tempo, preguiça e sucesso de futlol no Facebook, a verdade é que me custou acreditar na sobrevivência do blog. Independentemente das minhas inseguranças, apercebi-me que estava em falha, mas sobretudo comigo e para com o meu Belém! Assim prometo reactivar a minha participação mais regular (nem que seja uma vez por mês) neste melhor blog do mundo. Começo com um pequeno resumo do que foi o Belenenses nos últimos anos.


O Belenenses desceu com mérito injustamente à segunda liga depois de o ameaçar fazer várias vezes ter sido empurrado pelo sistema para tal, durante a primeira década do século 21. Tirando os dois anos de Jesus em Belém (contrariamente à história, não acabou em crucificação), ficámos sempre entre o medíocre e o mau.
Na segunda liga passámos 2 anos difíceis em que o clube esteve à beira da morte, financeiramente e desportivamente. Salvaram-se as exibições de Miguel Rosa, provavelmente o melhor jogador do Belenenses dos últimos anos.
Ao terceiro ano, tudo, mas mesmo tudo correu bem. O ínicio de época no fuzileiros permitiu uma camaradagem nunca antes vista nos lados do Restelo, com um grupo de jogadores oriundos das divisões secundárias de Portugal e poucos estrangeiros. Com Van der Gaag (sempre o admirei como central), e um tripeiro como dono da Sad,  Os Belenenses jogaram um futebol prático, apenas pensando no resultado final e muito objectivo. Tivemos sorte em alguns jogos, beneficiados em alguns jogos, mas morteiros em quase todos.

Muito facilmente e atempadamente chegámos à visão da primeira liga. Reforçamos ligeiramente o plantel (o regresso de Miguel Rosa e dois islandeses muito bons de banco  interessantes) e fomos para a luta. 
4 jogos sem ganhar e já os velhos do Restelo vaticinavam o fim do mundo. Depois dum ligeiro ataque cardiaco do nosso treinador, a equipa começou a amealhar pontos e desde então não perdeu, conquistando pontos na Luz e frente ao FCP, dando boa réplica, futebol acertado e objectivo. A partir de agora, vale tudo, mas o nosso campeonato é a manutenção e chatear os 3 grandes.
Deixar só a referência de alguns jogadores. Matt Jones na baliza, Kay na defesa e Miguel Rosa no meio e Fredy são 4 jogadores que estão acima da média, no Belém. Mas é o colectivo e a força psicológica que tem reforçado a posição do Belenenses, no que se espera ser uma boa base para os próximos anos. Não esquecer o pagamento de dívidas e dos jogadores a tempo e horas. Um bom trabalho de restruturação iniciado por João Almeida e completado por Rui Pedro Soares, o tripeiro que paga o leme do Belém.

Vamos em frente que o resto é conversa.

Joka Serpentina



Monday, 11 November 2013

Antes que seja Natal...

Escrever um post a seguir a um Benfica - Sporting, qualquer que seja o resultado, competição ou importância, parece-me em si algo redutor.

Mas há jogos e momentos que o justificam. Como parece que este o seja.

Já lá vão 2 dias desde o que aconteceu na Luz. Optei por deixar amadurecer a minha opinião sobre o jogo até hoje porque, para além do jogo e da consequência imediata (Sporting sai da Taça de Portugal à 4ª eliminatória), há muito mais do que só isto.

O momento e foto da noite: aquela "espécie" de golo.

4 - 3

O Sporting chegava à Luz depois de uma derrota no Dragão por 3-1 e uma vitória em casa contra o Marítimo, de virada, por 3-2.

O Benfica, por sua vez, vinha de um 1-0 - arrisco - injusto contra o Olympiakos do ex-emprestado-vendido-2-vezes-por-8-milhões-e-emprestado-outra-vez-guarda-redes, Roberto Giménez. Injusto, no sentido de não ter conseguido furar a muralha com que o Roberto se apresentou a jogo. Tantas vezes ouvimos o Jesus falar na "justiça" de quem marca mais, que o critério tem (ou devia) ser o mesmo.

E, para mim, o "azar" do Benfica na Grécia, com mais de 7 remates para golo claro, teve a sua compensação na 1ª parte do jogo na Luz, e aos 98 minutos do prolongamento.

Eficácia a roçar o cinismo, mas sem espinhas. Dou de barato os centímetros em fora-de-jogo do Cardozo no 3º (bom) golo. Movimento contrário à bola, jogadores praticamente em linha. Siga. Sou obrigado a desculpar o William na perda de bola no lance do 2º golo (apesar de ter resultado em golo), porque o menino William é cada vez menos menino a jogar "o" Futebol. O que não desculpo assim tanto, porque detesto recorrências, é mais uma falta do Rojo no lance do livre que dá o 1º o golo (descontando a meninice da barreira saltitante).

Sem sair do tema Rojo (mais tarde expulso por contínua burrice), o Sporting apresentou-se, a meu ver, com a seu 11 mais forte na presente época:

Patrício

Píris / Maurício / Rojo / Jefferson

William Carvalho
Adrien Silva / André Martins

Wilson Eduardo / Capel
Montero

E é quando vemos que no 11 mais forte entra o Rojo, que percebemos a proeza que o Leonardo Jardim tem feito em meter esta equipa a jogar à bola como tem jogado, em tão pouco tempo. O plantel é curto, mas tem rendido q.b. para os "objectivos" desta época (já lá vamos mais à frente).

Individualmente, foi isto que vi:

Patrício. 3 dos 4 golos, não teve hipótese, ainda que gostasse de saber quem disse à barreira para saltar no 1º de livre. O 4º "golo" abstenho-me de comentar. O Patrício falha, toda a defesa falha ao deixar a bola bater vindo do lançamento do Sílvio e, para finalizar, o Rojo faz penalty claro sobre o Luisão (portanto, não havia lei da vantagem) e seria expulso (como acabou por ser mais tarde; estava-lhe destinado). É um golo de merda, de meter nojo ao próprio futebol. Mas até os que entram assim contam. Esquecendo este episódio, o Patrício esteve muito bem, evitando o golo pelo menos em 3 ocasiões claras.

Maurício. Um golo vital, uma exibição da raça e - correndo o risco de me repetir - o gajo com mais azar no plantel por ter de jogar ao lado do Rojo. Que bom seria ver o Maurício ao lado de um grande central, à imagem de um André Cruz, por exemplo. Quanto poderia crescer (tem apenas 25 anos e vinha com o rótulo de flop dos adeptos do próprio Sport Recife), quão melhor seria. Leva já 2 golos (o de Sábado e o do Arouca, ambos de canto), ou seja, já fez mais do que o Polga. Só isto já é positivo.

Do Rojo já falei e estou cansado de o fazer. Não gosto, cada vez gosto menos e aborrece-me ter jogadores estúpidos a vestir a minha camisola. Que faça um bom Mundial (para tal vai ter de continuar a jogar pelo Sporting) e que seja vendido pelo máximo que se conseguir. Se possível, que seja já em Janeiro e que se vá buscar alguém decente.

Jefferson. Demasiadas preocupações com o Markovic. Tapou-o bem, mas sentiu-se a falta de chegada na frente, como em tantos outros jogos até agora. É o melhor lateral esquerdo que temos, e uma das melhores contratações da época (preço/qualidade).

Ivan Píris. Não engana. Apesar do bom jogo do Cédric contra o Marítimo, o lugar tem de ser do Píris. Não desiste de uma só bola (no chão ou no ar), entrega total, sobe e defende bem, raça. Assim mal comparado, faz-me lembrar a primeira versão do Fucile no Porto. Gosto e quero ver mais.

Uma vez mais, Adrien a ser completamente engolido pelo meio-campo adversário. Sabemos que ele é "lento", mas esta demora a estabilizar-se como jogador importante - que o é neste Sporting - em jogos grandes, custa a compreender. Redimiu-se, com a ajuda da equipa, na 2ª parte, mas não apaga uns primeiros 45min se sofrimento.

André Martins completamente fora dela todo o jogo. De todos os do miolo, é o mais rápido, e reconhece-lhe o mérito de cair em cima da defesa com o Montero no primeiro momento de pressão. Mas Sábado soube e foi pouco. Faria o Vítor mais e melhor? Não sei. Cada vez mais começo a querer ver o João Mário (actualmente ainda nos B's) a aparecer aos poucos. É uma espécie de mix entre a "pausa" do Adrien e a capacidade do Martins. A seu tempo. Saiu aos 69 minutos para dar lugar ao Slimani.

William Carvalho. Falhou no lance do 2º golo, perdendo a bola a meio-campo, mas os créditos são muitos. É - preparem-se - uma besta geométrica (in your face Luís Freitas Lobo, Pedro Enriques e todos os outros). Tacticamente é tudo dele. Com a bola nos pés tudo acalma. A facilidade de passe ao primeiro toque, a descongestionar, a virar de flanco... enfim. Como já é do Gestifute FC, já vai à Selecção. Que jogue (duvido que o faça já; o Bentinho é muito teimoso), que agarre o lugar e que nunca mais o largue. A revelação da época. Ponto final. Parágrafo. E o próximo capítulo é dele também.

Wilson Eduardo. Sim, fez um "joguito" meio apagado, mas toma lá mais uma assistência. Entre a fantasia aos bocadinhos do Carrillo e a verticalidade e simplicidade do Wilson (mesmo quando joga pouco), prefiro a última. Neste momento, e atendendo às opções e números na época, não há como não por o Wilson a titular. Contudo, parece-me que sofre do mesmo mal do Adrien nos jogos grandes, ainda que o Adrien tenha obrigatoriamente mais marcação em cima. Falta-lhe deixar de ser, mentalmente, jogador de Portimonenses, Olhanenses e Académicas. Só isto.

Capel. Não me recordo quantas vezes terá tocado o Capel na bola antes de a enfiar lá para dentro aos 37 minutos. Durou o que durou, mas foi um golo importante porque até então o Sporting praticamente não tinha existido em termos ofensivos. Infelizmente, voltou a ser posto na direita (já com o Carrillo em campo) onde é capaz de fazer um bom jogo a cada 10 e isto quando o Sílvio já tinha amarelo, e o Carrillo podia perfeitamente ir sacar-lhe o 2º, pela finta ou pela corrida. Má opção do Jardim.

Montero. Mais um jogo sem golos, mas mais um jogo em que prova o que vale. É craque. A forma como ganhou bolas, no corpo a corpo, ora com Garay ora com Luisão é digna de registo. A jogada do golo é muito dele, a forma como sai da marcação, vai buscar a bola, espera pelo Luisão para depois soltar no Wilson é um movimento dos livros. Mas remates... não me lembro de nenhum. E vamos numa seca de 3 jogos. Nada que preocupe, mas está a precisar de meter uma batata para espantar o mal.

Carrillo. Entra aos 60 minutos, bem, aguerrido. Teve um par de momentos bons mas depois apagou-se. Pedia-se mais vontade e mais entrega. Coisa que lhe tem faltado a época toda.

Carlos Mané. Entrou muito bem, libertou o Slimani para o remate ao ferro que daria o 3-3. Até para mim tem sido meio surpresa a aposta que o Jardim tem feito nele. O percurso na formação é bom e sinónimo de golos, é esperar que vá tendo mais minutos. Velocidade tem, técnica também, mas falta muito. Mas é melhor que o Djaló.

Slimani. Entre querer vê-lo em campo para me rir um bocadinho (isto com os jogos já ganhos e controlados) e acreditar que vai marcar quando entra, passaram-se apenas umas semanas. O golo contra o Marítimo foi importante, deu-lhe a confiança necessária para saber que, mesmo no banco, é uma arma e uma opção válida. E até para a própria equipa que, agora, acredita que ali está uma hipótese de golo a mais. Uma bola no ferro, um golo de cabeça e um quase golo de cabeça que daria o 4-4. Os festejos do golo são épicos e de uma importância vital para o futuro. Festejou-se o empate, sim, mas festejou-se, a sério e na casa do maior rival, a simbiose que tem existido entre a bancada e o campo.

Mas no fim, ficou 4-3.

Foi um belíssimo jogo de futebol, um grande derby, infelizmente arbitrado por alguém reconhecida e assumidamente Benfiquista e, pior, com um passado deplorável no que a decisões contra o Sporting diz respeito. É triste para o futebol, para quem vê o jogo ao vivo ou em casa. É triste porque dignifica. É triste porque atraiçôa a verdade.

Penalty por marcar ao Luisão, no lance com o Montero. Se o lance fosse ao contrário, com o Montero a levar o pé perto da cabeça num pontapé de bicicleta, por exemplo, era falta. Falha a bola, falha o corpo a corpo, chega atrasado e atrapalha o movimento natural da corrida.

Penalty por marcar na mão do Almeida. O árbitro viu o lance, optou por não marcar.

Penalty por marcar sobre o Luisão no lance que daria o 4-3 final. É-me indiferente se seria golo ou não depois do penalty. O que importa realçar é a incompetência e falta de conhecimento das regras de jogo por parte de um árbitro internacional e, agora, profissional.

Ah, e pelos vistos o Wilson Eduardo foi expulso no final do jogo.

Dito isto, o Sporting não perdeu porque o árbitro foi o Duarte Gomes. Perdeu porque o Benfica foi mais forte na 1º parte do jogo e já no prolongamento marcou num lance caricato, onde deveria ter sido assinalado um penalty contra o Sporting (e consequente expulsão do Rojo) e onde o Rui Patrício falha de forma incrível, depois de uma mão cheia de boas defesas durante todo o jogo. E perde porque não foi tão eficaz como o Benfica foi nas oportunidades que teve.

Voltando ao tema "objectivos", repesco, uma vez mais, o que escrevi em Julho e Setembro:
Expectativas 
3 jogos (a sério) e 7 pontos depois, mantenho o que disse a 4 de Julho: 
1) Campeonato 
Realisticamente, será jogo a jogo. A Liga Europa é o mínimo exigível. A Liga dos Campeões terá de ser considerada lá para Dezembro, quando se tiver uma ideia clara do que o plantel vale(rá) e do que pode(rá) fazer até Maio. Falar em título é um disparate.
Contudo, o futebol é um desporto tramado. Acho impossível almejarmos a mais do que um 2º lugar (com um dos outros 2 a ter uma época super irregular), mas ainda tenho de reserva o tal 0000000,1% de crença que, conjugando-se 50.000 factores diferentes, podemos ter uma hipótese. Adiante. 
2) Taça de Portugal + Taça da Liga
Lutar pelas duas até ao fim. 
Uma coisa é certa: a equipa tem e joga com uma identidade clara.
Estando um dos objectivos já de parte, o focus agora terá obrigatoriamente de ser o campeonato. Continuo a achar que falar em título, apesar de tudo, é irracional. Contudo, a exigência divide-se apenas por 2 competições. Uma tacinha e o campeonato. E é no campeonato que a equipa terá de provar, não o que vale, mas sim o que pode valer nos próximos 6 meses e como base da próxima temporada. A luta pelo 2º lugar parece-me possível. Mas essa luta pode ser mesmo a 3, porque o Porto pode voltar a falhar.

Sim, lutar pelo 2º lugar e não pelo primeiro. Continuo a achar que Benfica e Porto têm mais plantel, mais capacidade e mais responsabilidade para lutarem, apenas eles, pelo 1º lugar. Caberá ao Sporting aproveitar os deslizes de cada um (ainda com jogos entre si para disputar) e meter-se na luta pela Champions. Directa, preferencialmente.

Finalizando, acabei o Sábado triste com o resultado e consequente eliminação da Taça de Portugal. Mas não desiludido. Os jogadores provaram, mais uma vez, que querem mais do que lhes foi possível atingir nesta altura. A luta contra a adversidade e o crer que é (e foi) possível ir atrás do resultado, tal como já tinha acontecido no Dragão e contra o Marítimo, faz passar uma mensagem de tranquilidade para quem está no sofá em casa.


Não sofro mais a ver jogos do Sporting. Antes vibro, porque espero mais. Porque sei que há e vai haver mais. Vibro porque acredito no trabalho, na entrega e na paixão. Vibro porque vejo adeptos, jogadores, treinador, equipa técnica, estrutura e Presidente, a acreditar no mesmo. A olhar para o mesmo caminho. A desejar o mesmo. A ansiar pelo mesmo.

Será, aos olhos de muitos (especialmente os que não são do Sporting), incompreensível que haja tanta alegria no meio desta tristeza. Mas o nosso campeonato esta época, e depois de anos a fio a definhar, é este. E está ganho. Por goleada.

E o Natal está aí à porta. Mas a maior lição que podemos tirar da nossa época até agora, é que o Pai Natal não existe. Não há dinheiro para prendas, nem ninguém nos vai oferecer presentes. Custará cada derrota, custará cada tropeção (ou rasteira). Mas o orgulho do e no verde e branco voltou.

E esse já não há maneira de ser travado.